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Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora, guarda retrato do Imperador Dom Pedro II que foi alvo de disparo em 1889

Autoria: Redação  |  Fotos: Divulgação

 

Que tiro foi esse?". Com esta pergunta publicada nas redes sociais, o Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora, destacou a relevância da obra "Retrato de Dom Pedro II", atribuído a Joaquim da Rocha Fragoso. Um furo, que provavelmente foi causado por uma bala de revólver disparada por um simpatizante da República, fica próximo ao rosto do imperador e pode ser visto a olho nu.

A obra, que faz parte do acervo do museu, é um dos quatro registros de vandalismo contra representações do imperador ocorridas após a Proclamação da República. A reportagem conversou com o diretor-superintendente do Museu Mariano Procópio, Antônio Carlos Duarte, sobre a origem e a importância do tiro no quadro.

 

Um tiro, muita História

A historiadora Julliana Garcia Neves se aprofundou no assunto para a dissertação de Mestrado "O Retrato de Pedro II do Museu Mariano Procópio: Entre a Memória da Monarquia e a Consolidação da República".

Na pintura óleo sobre tela, de 2,38m de altura por 1,43 de largura, Dom Pedro II aparece em posição solene, usando o traje de gala da Marinha, reservado apenas para ocasiões especiais. Para a pesquisadora, o quadro também seria um documento histórico.

O quadro passou por restauração parcial, mas a marca do tiro foi mantida. "A restauração total da tela poderia apagar não só a marca como o acontecimento histórico, o que impediria o trabalho do historiador na tentativa de compreender os significados e relevância do fato".

                                                                                                          

Na falta do homem, o retrato

De acordo com a historiadora, os retratos de Pedro II eram produzidos pela Academia Imperial de Belas Artes e usados em atos solenes ou em dias de festejos cívicos. Quando o deslocamento não era possível, o retrato era enviado e recebia as mesmas regras de etiqueta, rituais e homenagens que seriam endereçadas ao monarca.

O quadro que está no museu mineiro representou o imperador nos eventos na abertura do Rio Amazonas às nações amigas em 1867, no palácio do governo do Grão-Pará. Nos três dias de eventos, "liderou" a procissão após a missa campal, a cerimônia do beija-mão e foi ovacionado pela população.

A documentação sobre a tela informa que o "Retrato de Pedro II" estava no Palácio Lauro Sodré, que era a sede do governo do Pará, quando recebeu um tiro de um simpatizante da República, no dia 15 de novembro de 1889. E até o restauro, feito em 2007, havia rasgos em partes específicas do corpo pictório do imperador, possivelmente causados por um ataque com espada.

 

Outros ataques a obras de arte

Pelo menos outros três quadros foram alvos de diferentes formas de ataques após a Proclamação da República. As obras estão no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro; no Museu Imperial, em Petrópolis e no Museu do Piauí, em Teresina.

A historiadora destacou que o número pode ser maior, mas falta comprovação dos fatos históricos.

 

Vínculo com a família imperial

Atualmente fechado para visitação pública por causa da morte de um macaco por febre amarela, o Museu Mariano Procópio investe em divulgação do acervo nas redes sociais e nas visitas às escolas e instituições.

O diretor-superintendente da unidade, Antonio Carlos Duarte, destacou que a obra consta da coleção original doada ao Município por Alfredo Ferreira Lage.

O Museu possui acervo estimado em 55 mil itens, muitos são ligados ao período imperial, que chegaram à instituição pelo interesse de Ferreira Lage no assunto.

Duarte ressaltou que o Museu trabalha para divulgar os diferentes detalhes que tornam viva a história do Brasil para os interessados de todas as idades.

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